Nunca vi nada parecido (já garanti minha groselha e meu algodão doce)
A sensação, a gente vive com grande intensidade e uma corrida quando termina, quase sempre deixa recordações fortes. Só que foi tudo “thriller” demais.
As daquele domingo ficarão para sempre, porque nunca um título foi decidido dessa forma — e se foi eu não vi, o que dá na mesma. Quem esteve no autódromo, trabalhando ou assistindo, saiu com a certeza de que ali aconteceu algo histórico para um esporte que desperta paixões e emoções que nem sempre eu consigo descrever ou traduzir.
A última volta da corrida a gente não vê nem nas histórias de Michel Vaillant (acho melhor que Speed Racer), é difícil de acreditar, mas ela aconteceu de verdade - e o que eu vivo, dentro de meu mundinho minúsculo, na minha velocidade desprezível, na minha desimportância desconcertante, todos os outros viveram também.
Interlagos é um lugar especial, que resiste ao tempo, que traz em cada centímetro de seus barrancos milhões de memórias, muitas delas, talvez, de corridas como a do último dia 2, mas que se perderam no tempo, que nunca foram registradas por câmera alguma, exceto aquela que cada piloto que correu aqui carrega dentro de seu capacete solitário.
Gosto muito de corridas. É isso que percebo cada vez que termina um GP do Brasil, ou cada vez que termina um GP em qualquer canto do mundo. Já vi bastante coisa. Mas depois da última, eu fui tomar um copo d'água...

(Ontem o relógio marcava 8:38 e 22°C quando saí pra caminhar, tendo apenas o silêncio do asfalto a acompanhar meus passos, para, como dizia Steve McQueen, esperar o próximo, porque a vida nada mais é do que isso, “when you’re racing, it’s life, anything that happens before or after is just waiting.”)
Escrito por Prete às 16h10
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